Eleanora Derenkowsky nasceu em 1917, na cidade de Kiev (Ucrânia), e migrou com sua família para os EUA em 1922, fixando-se em Syracuse, Nova Iorque.
Suas atividades foram de grande importância para a constituição e divulgação do cinema de vanguarda americano. Atuou como realizadora, distribuidora, crítica, teórica, bem como organizadora de mostras e palestras relacionadas ao cinema de baixo custo nos Estados Unidos, entre os anos 1940-50. Trabalhou completamente por fora da indústria do cinema comercial, fazendo de sua própria experiência o núcleo temático de seus filmes.
Quando adolescente, foi enviada a Genebra para participar da Liga das Nações, uma escola internacional. De volta aos EUA, estudou jornalismo e ciência política, tornando-se ativa na política estudantil na Universidade Syracuse e participando do partido socialista americano. Posteriormente transferiu-se para Nova York University, onde concluiu a graduação em 1936. No Smith College, em 1939, completou o mestrado em literatura, com um estudo sobre a poesia simbolista inglesa.
No início dos anos 40, decidiu escrever um livro teórico a respeito da dança moderna. A dançarina e coreografa Catherine Dunham interessou-se pelo trabalho da jovem Eleanora, convidando-a para acompanhar a Catherine Dunham Dance Company em sua turnê pelos EUA (1942-42). Durante o referido período, trabalhando como assistente de publicidade da Catherine Dunham Dance Company, Eleanora conheceu Alexander Hammid, seu primeiro marido. Na época, depois de atuar junto ao cinema de vanguarda tchecoslovaco, Hammid trabalhava em uma pequena produção Hollywoodiana. O livro sobre dança não foi terminado, mas o interesse pelo cinema aumentou partir do encontro com Hammid.
Com o nome já modificando para Maya Deren, iniciou sua atuação como cineasta. Realizou sete curtas-metragens, incluindo um em colaboração com Duchamp - Witch's Cradle (1944). O primeiro filme, em parceria com o marido, foi Meshes of afternon (1943).
Nos EUA da década de 40, faltavam subsídios para as artes. Deren dedicou-se à criação de facilidades e financiamentos para o filme de vanguarda americano, cuja circulação aumentaria posteriormente. Fez palestras em diversas universidades. Em 1946, foi a primeira cineasta a receber uma bolsa da John Simon Guggenheim Memorial Fondation, cujo dinheiro usou para iniciar uma investigação antropológica sobre o vodu e a cultura haitiana. Durante suas três viagens para o Haiti (1947-54), fez gravações dos sons de rituais e filmagens, cujas imagens seriam montadas em um filme apenas depois de sua morte. Além de compilar dois álbuns de música vodu – "Cavaleiros Divinos" e "Merengues e Baladas Folclóricas do Haiti" –, em 1953 publicou um livro com os resultados dos estudos sobre os rituais vodu: Divine Horsemen: The Living Gods of Haiti (1953).
Publicou inúmeros trabalhos teóricos e artigos em revistas de cinema. Entre seus escritos estão o livro Anagram of Ideas on Art, Form and Film (1946) e textos como “Cinematography: the creative use of reality” e “Psychology of Fashion”. Em 1953, no simpósio do Cinema 16, uma sociedade que promovia a exibição de filmes independentes em Nova Iorque, apresentou uma conferência denominada “Poetry and the Film”.
No final dos anos 1950 fundou a Creative Film Foundation, para recompensar as realizações de cineastas independentes. Fomentando a distribuição independente, Deren exibiu e apresentou palestras sobre seus filmes nos Estados Unidos, Cuba e Canadá. Sua atuação inspirou uma nova geração de cineastas novaiorquinos, o New American Cinema Group, mostrando-lhes que era possível ganhar reconhecimento comum e participar de um quadro comum de distribuição, exibição, crítica e discurso. Entre tais cineastas, articulados sob a tutela crítica de Jonas Mekas, encontravam-se Hollis Frampton, Stan Brakhage, Paul Sharits, Robert Frank, Morris Engel e Jack Smit. É possível dizer que o trabalho de Deren contribuiu indiretamente para a criação da primeira Cooperativa de cineastas de Nova Iorque, a Film Makers Cooperative.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
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